segunda-feira, 8 de junho

Ressecção Endoscópica para Câncer Gástrico Remanescente: Um Estudo prospectivo Revela Comparabilidade a Longo Prazo
Ciência 08/06/2026

Ressecção Endoscópica para Câncer Gástrico Remanescente: Um Estudo prospectivo Revela Comparabilidade a Longo Prazo

Pesquisa multicêntrica indica que, apesar de alguns desafios iniciais, a retirada endoscópica de tumores gástricos remanescentes pode oferecer resultados a longo prazo tão bons quanto os de tumores primários, quando realizada com intenção curativa.

Entendendo o Câncer Gástrico Remanescente e a Ressecção Endoscópica

O câncer gástrico remanescente (CGR) refere-se ao surgimento de um tumor no estômago que permaneceu após uma cirurgia prévia, frequentemente uma gastrectomia parcial. Com o envelhecimento da população e o aprimoramento das técnicas cirúrgicas, a incidência de CGR tem sido observada com maior frequência. A detecção precoce é crucial para um prognóstico favorável.

A ressecção endoscópica (RE) é um procedimento minimamente invasivo utilizado para remover lesões pré-cancerígenas ou cânceres gástricos em estágio inicial. A técnica, que utiliza endoscópios equipados com ferramentas especiais, permite a retirada da lesão diretamente pela boca, sem a necessidade de incisões cirúrgicas externas. Isso resulta em menor tempo de recuperação e menos complicações, quando comparada à cirurgia aberta.

Contudo, a validade da RE para o CGR ainda representava um campo com evidências limitadas, especialmente quando comparada à sua aplicação em tumores gástricos primários. Diante desse cenário, um estudo prospectivo multicêntrico conduzido em 41 centros no Japão buscou esclarecer os resultados da RE especificamente para o CGR.

Metodologia e Comparação de Resultados a Curto Prazo

A pesquisa, que faz parte de uma análise maior sobre RE para câncer gástrico inicial, acompanhou 355 pacientes com 369 casos de CGR e os comparou com 8.460 pacientes que apresentavam 9.394 casos de câncer gástrico primário. O período de coleta de dados abrangeu de julho de 2010 a junho de 2012.

Os resultados preliminares revelaram algumas diferenças significativas nos desfechos a curto prazo. O tempo médio de procedimento para CGR foi de 87 minutos, superior aos 77 minutos observados em tumores gástricos primários. A taxa de ressecção em bloco (remoção do tumor em uma única peça) foi ligeiramente menor nos casos de CGR (96,7%) em comparação com os tumores primários (99,5%).

A taxa de ressecção R0, que indica a remoção completa do tumor com margens livres, também foi inferior em CGR (83,5%) frente aos tumores primários (93,3%). Além disso, a incidência de perfuração intraoperatória foi mais elevada nos pacientes com CGR (4,2%) comparada aos pacientes com tumores primários (1,9%). Similarmente, a taxa de perfuração tardia foi de 1,1% para CGR contra 0,3% para tumores primários.

Análise do Prognóstico a Longo Prazo e Conclusões do Estudo

Apesar das diferenças observadas nos resultados a curto prazo, o estudo aprofundou a análise dos desfechos a longo prazo, com foco na sobrevida global (OS) e na sobrevida específica da doença (DSS) em cinco anos. As taxas de sobrevida em cinco anos foram de 83,1% para OS e 98,5% para DSS em pacientes com CGR.

Esses índices, embora ligeiramente inferiores aos observados em pacientes com tumores gástricos primários (89,5% para OS e 99,6% para DSS), demonstram uma performance robusta da ressecção endoscópica. Ao se analisar os dados de mortalidade por todas as causas, utilizando modelos de regressão Cox, os pacientes submetidos à RE curativa para CGR apresentaram um Hazard Ratio (HR) de 1,19 (intervalo de confiança de 95% de 0,85-1,66) em comparação com o grupo de referência (pacientes com ressecção curativa de tumor primário).

Essencialmente, o estudo conclui que, embora a ressecção endoscópica para o câncer gástrico remanescente possa apresentar resultados iniciais ligeiramente menos favoráveis em termos de tempo e algumas complicações, os desfechos a longo prazo são comparáveis aos da ressecção endoscópica de tumores gástricos primários, desde que a ressecção seja realizada com intenção curativa (R0). Essa descoberta reforça a importância da técnica como uma opção viável e segura para o manejo do CGR em estágios iniciais.

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