Transplantes de rins supercoados: um feito histórico na medicina
Cientistas desenvolvem dispositivo que permite transplantes de rins supercoados por dias
Quando se fala de doação de órgãos, o tempo é fundamental. Assim que um órgão é cuidadosamente removido do corpo do doador, ele começa a deteriorar-se. Os cirurgiões têm apenas horas para colocá-lo no receptor. Deixá-lo por muito tempo e o órgão ficará inutilizado.
No geral, os órgãos são mantidos na geladeira, a cerca de 4 °C (39 °F). Eles não podem ser congelados, pois formação de gelo pode causar danos.
Matthew Powell Palm na Universidade de Texas A&M e seus colegas têm uma alternativa - um dispositivo que permite que órgãos sejam resfriados a -4 °C (25 °F) sem a formação de gelo.
Agora, em novos estudos com órgãos de porcos, sua equipe mostrou que rins podem ser resfriados e preservados por dias. Uma vez aquecidos, os órgãos foram transplantados com sucesso em animais e parecem funcionar melhor que os órgãos mantidos na geladeira.
Um feito histórico
O trabalho representa 'um feito histórico', diz Kevin Myer, presidente e CEO da LifeGift - uma organização de coleta de órgãos com sede no Texas - que não participou do estudo.
Supercoação de rins
Powell Palm espera que essa abordagem possa ajudar a diminuir a crise de falta de órgãos. Hoje, mais de 104.000 pessoas estão à espera de um transplante de rim nos EUA apenas.
A equipe de Powell Palm testou seu dispositivo com rins de porcos, mantidos em refrigerador por 24, 48 e 72 horas. Os rins foram posteriormente transplantados para os mesmos animais. Os rins que foram mantidos em refrigerador por 24 horas funcionaram imediatamente, produtorando urina, um ótimo sinal de que funcionavam.
Os rins também foram medidas outros marcos de função renal e se mostraram funcionar normalmente dentro de cerca de 10 dias após o transplante.
Impacto no mercado
Acredita-se que o trabalho de Powell Palm possa ajudar a evitar a morte de pessoas em filas de transplante de rins.